Ética no Yoga
- Ana Lucia Lopes

- 1 de ago.
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Tradição e Origem do Yoga
Yoga tem sua origem nos sistemas filosóficos ortodoxos, visões1 do pensamento indiano, legado transmitido oralmente.
Em 150 dc, data provável, o filósofo indiano, Patanjali, organizou e compilou o conhecimento filosófico do Yoga, sistematizou o Yoga baseando-se em fundamentos teóricos e práticas já existentes, estruturou esses conhecimentos de um modo original.
A edição do texto no estilo sutras, textos curtos, sem detalhamento, formam prosas, organizadas em 4 capítulos compostos por 196 sutras, abordando sobre conceitos e práticas do Yoga e aspectos éticos.
Este trabalho foi seguido por muitos outros importantes filósofos, mestres e autores, mas o “Yoga Sutra” de Patanjali é o mais significativo e utilizado como referência para estudos do Yoga.
No Capítulo 2, Sutra 29 (Desikachar, 2018), Patanjali apresenta oito componentes para o estudo e prática do Yoga, que podemos utilizar como base para a prática:
1. Yama, disciplina na atitude com o ambiente.
2. Nyama, valores éticos e atitudes pessoais.
3. Ásanas, prática de posturas físicas.
4. Pranayama a expansão da energia vital através da respiração.
5. Pratyahara o controle dos nossos sentidos.
6. Dharana a habilidade de direcionar a mente. Foco e concentração.
7. Dhyana a habilidade de desenvolver interações com o fluxo do pensamento. Meditação.
8. Samadhi a integração completa.
[1] Pensamentos conhecidos como seis ‘Darsanas’ – Yoga, Sankhya, Nyaya, Vaisesika, Mimamsa, Vedanta - (Desikachar TKV. O coração do Yoga. 2018 pag. 43
As atitudes éticas fazem parte de um sistema de transformação, alterando modo de vida, valores e encaminhando o indivíduo para a redução de impulsos egóicos, ignorância e a preguiça.
1. Yamas
Não violência – Ahimsa – que eu não seja a causa de violência e perturbações. Perceber a agressividade em nós mesmos, ter compaixão e empatia, além de abandonar hostilidades e abster-se do excesso de crítica.
Autenticidade -Satya – não usar a falsidade e nem omitir fatos, desenvolvendo a comunicação não violenta, pacífica e avaliar o discurso antes da fala.
Não roubar – Asteya – trata-se da cobiça e da felicidade que não vem do externo. O que gera a inveja é a comparação e a ilusão de que o outro indivíduo sempre está mais feliz. A competitividade excessiva muitas vezes traz pequenas corrupções. Roubam a verdade e opinião alheia, roubam sonhos, sabotam, roubam energia, são movimentos para “tirar vantagem”.
Moderação – Brahmacarya – atenuar o excesso de estímulos, preservar a energia vital e manter o equilíbrio de pensamentos, sentimentos e emoções.
Desapego – Aparigraha – aprender a não criar necessidades desnecessárias. Desenvolvemos apego as relações, a pessoas e situações tóxicas que muitas vezes nos causam pré-ocupações e necessidade de antecipar problemas inexistentes.
2. Nyamas
Pureza – Sauca – avareza, inveja, ciúme, julgamentos obscurecem a mente. Sentir-se puro, limpo e desintoxicado é um caminho mais leve.
Contentamento - Santocha – apreciar-se naquilo que já tem e o que é, permite sentir serenidade e paz. Cumprir seu papel sem esperar reconhecimento excessivo e diminuir expectativas extingue a decepção e o sofrimento.
Disciplina – Tapas – se libertar da ilusão, da ignorância e da zona de conforto. Desenvolver compromisso consigo e disciplina e ainda se libertar do automatismo.
Estudo – Svadhyaya – buscar, questionar e olhar para si. Autorreflexão e autoanálise para obter discernimento e melhores percepções.
Admiração – Isvara pranidhana – Agir sem se afetar pelo resultado. Reverência para uma inteligência superior, entrega e aceitação. Aquele Deus que a nossa mente constrói e depositamos a crença. Confiar no processo e no resultado de suas ações e práticas.
3. Asanas – posturas que produzem firmeza, estabilidade, livram de doenças e proporcionam leveza física, que permite superar a inércia e a preguiça. Os Ásanas são firmes, agradáveis, estáveis e confortáveis. O objetivo é não se julgar e acolher-se nas posturas. Os ásanas transcendem o movimento ao relaxar no esforço.
4. Pranayamas – é a sensação da respiração. A respiração é controlada gradativamente. O treinamento é focado na regularidade, intensidade e ritmo e existem vários exercícios que podem ser aplicados de acordo com o nível de desenvolvimento dos praticantes.
5. Pratyahara – controle dos nossos sentidos. Perceber além dos sentidos e manter sua prática. A agitação mental reflete a vida, as relações, a saúde e as interações.
6. Dharana – concentração e foco natural.
8. Samadhi – prática meditativa. A mente é repetitiva, compulsiva, descontrolada e pode ser destrutiva e a meditação é uma ferramenta para refletir no centro ou em algo que possa trazer um estado de equilíbrio e atenção.
Desikachar TKV. O coração do Yoga. 2018
Yoga Sutras de Patanjali




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